sábado, 11 de julho de 2009

Medo

O que é essa dor que me destrói por dentro
Que alastra minha felicidade, e me preenche de angustia
E me atormenta a cada segundo que passa.

Talvez seja medo de ser enganada por alguém muito próximo
Mas na verdade é a raiva de ser enganar todos os dias por eu mesma
E saber disso e mesmo assim levar adiante.

Passo horas tentando entender o porque
E depois, não faço absolutamente nada para tentar mudar
E acontece o contrário, alimento essa ilusão cada vez mais.

Talvez me engane tanto, por ter medo das pessoas
E medo do que elas possam fazer comigo
Então me engano para tentar esquecer esse medo.

Daí-me força, meu Deus, para ser o que sou
Força para seguir meu caminho sem medo
E ser Feliz.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


Vinicius de Moraes,
Rio de Janeiro, 1935.